Sentimento de amizade

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Eu nunca soube falar muito bem de amizade, eu penso que ainda não aprendi muito a fundo o valor que tem dentro dessa palavra. Alguns especialistas dizem que ele é fundamental na vida das pessoas, tanto que até os melhores familiares são aqueles que dizemos que além de tudo são nossos amigos. Vinicius de Moraes disse que poderia perder muitos amores, mas perder um amigo isso é muito mais difícil de suportar. Eu tenho uma conhecida, que me disse algo que conseguiu me parar para pensar sobre esse dom de se ser um amigo: “ Só a amizade vence o tempo…”. E é verdade, somente ela é capaz de fazer parar o tempo dentro de um sentimento que se chama cumplicidade. Que pode também nos transportar a um momento em que sempre estaremos juntos. Para os amigos não há hora, não há dia, não há situação… e por isso que amizade se torna mais importante (…) um amigo a gente recebe sem previsão alguma, encontra numa esquina da rua e isso não há nada que compre, que substitua…Com o passar dos anos, os amigos serão os únicos que nos lembrarão bem e serão capazes de nos dar algum vestígio de quem um dia fomos e quem estamos nos tornando. Amigos sabem mais dos nossos segredos do que nossos amores. Amigos não se importam se dormimos com camisolas engraçadas ou se nossos cabelos acordam alvoroçados de manhã. Amigo só quer nos ver de um jeito e estejamos bem.

Essa “coisa” de amizade é algo que está no coração, mas não nesse coração aqui, do lado esquerdo do peito do corpo da gente. Amizade fica no meio do coração da nossa alma.

( Cáh Morandi )

Quero as janelas abrir para que o sol possa vir iluminar o nosso amor…

(Título: Janelas abertas, Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

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O amor seria somente mais uma palavra. Uma palavra como outra qualquer: cadeira, livros, horizonte ou paralelepípedo. Uma palavra perdida em um dicionário. Uma palavra imprecisa em uma canção. Uma palavra escrita numa placa no deserto. O amor poderia ser o deserto ou a canção, porque às vezes, nos dá uma espécie de sede, em outras, um carinho ao pé do ouvido.

Quem sabe o amor passasse despercebido, em silêncio, tão em calmaria que nem distraísse minha atenção das outras coisas bobas do mundo. Quem sabe o amor chegaria, como chegam correspondências de promoções, que a gente amassa e joga fora. Quem sabe o amor viesse como uma rosa entre as outras rosas em buquê, e olhando de cima, é tudo tão igual. Quem sabe fosse uma rua desconhecida, um creme para as mãos, um jeito de sorrir ou olhar, uma mania, um prato árabe, uma pizza, um peixe que vive só no Mar Egeu, uma marca de xampu ou de relógio, um sabor de suco, uma fruta. Embora para tudo, seja todo o sentido.

Poderia sim ser quase nada, se não tivesse sido tudo. Poderia não ter significância ou significado, senão fosse você. Senão fosse seu riso me chamando para dançar no meio do mundo, senão fosse seu nome se espalhar por todos os cantos dos meus pensamentos e os poros da minha pele, senão fosse o seu olhar na primeira vez que te vi, senão fosse seu ar de segurança, senão fosse sua simplicidade em falar. Se por um momento só, você não tivesse sido tão profundo. Se por um momento só, não tivesse sido você, teria sido tudo inútil, teria sido tão em vão.

O amor vem depois de você, e as palavras vem depois do amor. Tão clichê, tão bobo, quando a gente quer dizer que está apaixonada e sente tão amada a ponto de esquecer o resto do mundo. Tão tola nossa forma mais planejada para não ser amarrada pela paixão. Não vale nada toda razão quando o coração desperta.

 

O amor seria sim como qualquer palavra… se não fosse sua chegada.

 

 

(Cáh Morandi)