O porquê do encanto

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Dentre as coisas que eu gostaria de entender está o porquê de algumas pessoas terem o poder de me deixar verdadeiramente encantada e outras não. Certas pessoas parecem mesmo ter mágica aflorando da pele, dos gestos, dos gostos ou sei lá mais de onde. Algumas vezes a mágica vem de um único lugar, outras vezes de vários e outras, ainda, de fontes inidentificáveis… De algumas pessoas a gente até gosta muito, mas encantar mesmo,  poucas encantam. Encantar vai muito além.

Essas tais pessoas que encantam são mesmo especiais pra nós e se diferenciam dos demais em pequenas sutilezas diante de um olhar mais atento. Algumas precisam de uma grande proximidade para notar-se o que têm para encantar e outras de longe já se vê com facilidade.

Todos são capazes de encantar, mas não são todos que encantam as mesmas pessoas. O que mais se vê são casos de pessoas incapazes de encantar outra pessoa determinada. Isso não acontece em razão de não se ter encanto, mas sim pela incompatibilidade com o que o outro aprecia… é a disparidade natural inerente ao próprio ser humano. Há também o caso daquele que não se deixa encantar, mas esse vamos deixar pra lá…

Enfim, à primeira vista somos todos iguais, mas, como já disse um cara muito sábio, nos diferenciamos uns dos outros na medida em que cativamos e nos deixamos cativar. E eu, aqui dentro, continuo achando isso tudo muito complicado… e instigante!

(Camila Chaves)

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Esse mistério

 
 
Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente se encante tanto por outra vida. E sinta vontade de escrever poemas. Garimpar estrelas. Deixar florir pelo corpo os sorrisos que nascem no coração. Nesse mistério que nos faz olhar a mesma imagem inúmeras vezes, sem cansaço, seja ela feita de papel ou de memória. Que nos faz respirar feliz que nem folha orvalhada. Querer caber, com frequência, no mesmo metro quadrado onde a tal vida está. Cantarolar pela rua aquela canção que a gente não tinha a mínima ideia de que lembrava.

Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente encontre essa vida na multidão planetária de bilhões de outras. E sem saber que ela existia, perceba ao encontrá-la que sentia saudade dela antes de conhecê-la. Estive pensando nesse mistério que faz com que aquela vida que acaba de encontrar a nossa nos deixe com a impressão de estar no nosso caminho desde sempre, como se fosse um sol que esteve o tempo todo ali e a gente somente não o ouvia cantar. Nesse mistério que nos faz trocar buquês dos olhares mais cuidadosos. Que nos faz querer cultivar jardins, lado a lado. Nesse mistério que faz com que a nossa vida queira um bem tão grande à outra vida, que vai ver que isso já é uma prece e a gente nem desconfia.

Estive pensando nesse mistério lindo que você é para alguém e alguém é para você ou que ainda serão um para o outro. Nessa oportunidade preciosa dos encontros que nos fazem crescer no amor com o tempero bom da ludicidade. Nesse clima de passeio noturno em pracinha de cidade pequena. Nessa paz que convida o coração pra recostar e repousar cansaços. Nesse lume capaz de clarear um quarteirão inteirinho da alma. Nesse abraço com braços que começam dentro da gente. Nessa vontade de deixar o mundo todo pra depois só para saborear cada milímetro do momento embrulhado pra presente.

Estive pensando nesse mistério que não consigo desvendar. Nem tento.
(Ana Jácomo)