A minha saudade é diferente de todas as outras

 

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Porque ela não é simplesmente saudade, saudade a gente sente daquilo que já teve, daquilo que já sentiu. É meio que uma vontade encorpada, daquelas que aperta o peito, que faz sua respiração mudar. Nos falamos, nos despedimos, e antes mesmo de me despedir já estou sentindo sua falta, já começo a contar as horas até que nos falemos novamente. Durmo pensando no jeito que vou te dar bom dia, te espero o dia inteiro, te tenho aqui o dia inteiro em pensamento, só na expectativa de poder matar minha saudade, de ouvir tua voz, de saber como foi seu dia, de ter você pra mim pelo menos pelo tempo que pudermos. Acho que isso se chama urgência. Talvez. Qualquer nome que eu der a isso vai se encaixar perfeitamente, já que quando se ama, qualquer palavra pode significar alguma coisa, pois amar é não saber mais significado algum, de nada, absolutamente nada.

 
(Jéssica Barreto) 
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Da Saudade

Um dia desses, papo descontraído, uma colega de trabalho contou uma história que eu achei bem bonita, meu coração garimpeiro atento para descobrir preciosidades entre as outras coisas recolhidas na mina de cada instante.
Estava na casa do irmão, quando a sobrinha, criança na época, demonstrou tristeza no momento em que a tia comentou que havia chegado a hora de ir embora.
“Você vai me deixar sozinha?”
“Não, querida, você não vai ficar sozinha, vai ficar com a sua mãe e com o seu pai…”
A menina, numa dessas sábias tiradas amorosas que criança diz sem cerimônia, e adulto, por mais que sinta tão sinceramente, tantas vezes fica encabulado pra dizer, mandou esta:
“Eu sei, mas eu vou ficar sozinha de você!”

Este é um dos poemas mais lindos, eloquentes, instantâneos, que já li sobre a natureza da saudade. Inclusive, de nós mesmos.
(Ana Jácomo)

Chega de saudade

 

Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.

(Vinícius de Moraes)