A morte devagar

 

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Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

(Martha Medeiros)

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O que é o Amor?

Criado por Louis Clichy e produzido pela CUBE Creative Computer Company, de Paris. Louis é diretor, animador e storyboarder e já trabalhou inclusive com a Pixar. O curta “A quoi ça sert l’amour?” (O que é o amor?), mostra um pouco do talento dele. A animação, que é bem bonita e divertida, retrata os altos e baixos de um relacionamento amoroso.

Pra fazer sentido

 
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‘Somos nós quem fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser…’

|gonzaguinha|
 
Coragem não é ser forte,veja bem. Coragem é uma forma de desprender o sonho da vida. Não deixa de ser uma estratégia para andar com mais leveza. Equilibrio. Dia por dia, ano por ano, a gente cai e levanta, limpa a poeira da roupa, limpa o choro do rosto. Solta o coração na rua e prende o suspiro no peito. Vai apurando a fé pra tornar-se uma pessoa mais generosa consigo mesma. Toda queda ou salto vale como experiência pra grande oportunidade de estarmos aqui. Tempo é ouro, aprendi, não dá pra desperdiçar assim, de qualquer jeito.
Coragem no final das contas é envolver-se. ‘Coragem às vezes é desapego’.
 
Coragem é olhar pro espeho no fim do dia e perguntar: – Será que a gente tomou a decisão certa?
E a resposta vir com o um sorriso, da mesma pessoa, essa de frente pro espelho. E lembrar-se do momento que espantou o tédio com um sorriso e desculpou-se com um abraço. Que disse coisas interessantes com o olhar, porque aprendeu que silêncios falam mais alto. Que chegou em um lugar que sempre foi o ‘lá’ que queria estar, e gostar muito disso. Responder que foi um dia rico, que você tornou-se uma pessoa mais rica, mais rica de amor. Tenha coragem de se olhar no espelho e conseguir agradecer pelo que vê. Todo dia.

 
 

(Vanessa Leonardi)
*em itálico, frase de Ana Jácomo

Medidas da vida

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A gente se acostuma a medir a vida em dias, meses, anos!
Mas será que é mesmo o tempo que mede a nossa vida?
Ou a gente deveria contar a vida pelo número de sorrisos, de abraços, de conquistas e de amores…
E por que não de fracassos também?
Por que não, ao invés de tantos anos, a gente não diz: tenho 3 amigos, 8 paixões, 4 tristezas, 3 grandes amores e dezenas de prazeres?
A gente vai vivendo e, às vezes, se esquece de que a vida não é o tempo que a gente passa nela, mas o que a gente faz enquanto o tempo vai passando.
Dizem que a vida é curta.
A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades…
E essa tal felicidade vive aí disfarçada como uma criança traquina, brincando de esconde-esconde.
Infelizmente, às vezes, não percebemos isso e passamos a nossa existência colecionando “nãos”:
A viagem que não fizemos…
O presente que não demos…
A festa que não fomos…
A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador…
Quando se é piloto e não passageiro…
Pássaro e não paisagem…
Como ela é feita de instantes, não pode e não deve ser medida em dias ou meses mas em minutos ou segundos…

A vida é agora. Viva!

(Autor Desconhecido)

Coração

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O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto. Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão e sentamos com ele para brincar. E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. É que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a freqüência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível. Coração precisa de espaço.

(Ana Jácomo)

Minha pequena livre

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Quanto mais eu a prendia, mais ela escapava entre meus dedos.
Eu ficava ansiosa por ela, e quanto mais inquieta e angustiada eu ficava, mais apertado o seu lugar se tornava e mais necessidade ela tinha de ar.
Abri as mãos. Deixei-a voar. Agora a vejo em cada pequeno detalhe dos lugares por onde vou, e ela nunca foi tão minha como agora, quando já não corro em seu encalço, quando não a prendo mais entre as mãos.
A minha doce borboleta, felicidade.
 
 
(Camila Lourenço)
 
 
Obs: A Camila Lourenço visitou A Ponte e nos deixou um comentário. Quem  desejar ver outros textos dela, acesse http://camilalourencomorena.blogspot.com/.
A PONTE RECOMENDA

Quero as janelas abrir para que o sol possa vir iluminar o nosso amor…

(Título: Janelas abertas, Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

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O amor seria somente mais uma palavra. Uma palavra como outra qualquer: cadeira, livros, horizonte ou paralelepípedo. Uma palavra perdida em um dicionário. Uma palavra imprecisa em uma canção. Uma palavra escrita numa placa no deserto. O amor poderia ser o deserto ou a canção, porque às vezes, nos dá uma espécie de sede, em outras, um carinho ao pé do ouvido.

Quem sabe o amor passasse despercebido, em silêncio, tão em calmaria que nem distraísse minha atenção das outras coisas bobas do mundo. Quem sabe o amor chegaria, como chegam correspondências de promoções, que a gente amassa e joga fora. Quem sabe o amor viesse como uma rosa entre as outras rosas em buquê, e olhando de cima, é tudo tão igual. Quem sabe fosse uma rua desconhecida, um creme para as mãos, um jeito de sorrir ou olhar, uma mania, um prato árabe, uma pizza, um peixe que vive só no Mar Egeu, uma marca de xampu ou de relógio, um sabor de suco, uma fruta. Embora para tudo, seja todo o sentido.

Poderia sim ser quase nada, se não tivesse sido tudo. Poderia não ter significância ou significado, senão fosse você. Senão fosse seu riso me chamando para dançar no meio do mundo, senão fosse seu nome se espalhar por todos os cantos dos meus pensamentos e os poros da minha pele, senão fosse o seu olhar na primeira vez que te vi, senão fosse seu ar de segurança, senão fosse sua simplicidade em falar. Se por um momento só, você não tivesse sido tão profundo. Se por um momento só, não tivesse sido você, teria sido tudo inútil, teria sido tão em vão.

O amor vem depois de você, e as palavras vem depois do amor. Tão clichê, tão bobo, quando a gente quer dizer que está apaixonada e sente tão amada a ponto de esquecer o resto do mundo. Tão tola nossa forma mais planejada para não ser amarrada pela paixão. Não vale nada toda razão quando o coração desperta.

 

O amor seria sim como qualquer palavra… se não fosse sua chegada.

 

 

(Cáh Morandi)

 

Only Once In A Lifetime – Kenny Rogers

Você pode colocar distante todas as suas lágrimas
Este tempo sempre está aqui para ficar
Eu Sei que um amor como o teu e o meu 
Acontece apenas uma vez na vida. 

Eu tenho você perto de mim
E o nosso amor vem intenso
Eu nunca sonhei que poderia ser 
Satisfeito assim

Eu poderia ver relâmpagos atingirem
duas vezes o mesmo lugar
Mas sei que eu nunca vejo
O amor que você gosta de me dar.

A bordadeira

 
 
A vida, bordadeira de surpresas bonitas que também é, de vez em quando borda no tecido do caminho da gente umas histórias aparentemente sem pé nem cabeça, mas com muito coração.

 
E é o coração que pode encontrar importância no significado do bordado. Reverenciar a mestria, a ternura, o requinte do humor da bordadeira. A sua perspicácia. A sua visão amorosa. Sentir a qualidade de textura dos fios de sabedoria que ela usou para bordar a surpresa.

 
É o coração. Não, necessariamente, a circunstância.
 
 
 
(Ana Jácomo)

Saudade…

     

     Saudade é um desespero de coração. É a vontade ininterrupta do outro. Do beijo reprimido, do abraço apertado, do olhar apaixonado, do perfume, da voz, do encanto, da paixão… É o modo do coração te dizer que você não o domina. É o modo dele te contar que outra pessoa o tem… Entregue-se!  Só existe saudade se o amor é verdadeiro…