Importante na vida…

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Sabe aquele milho que sobra na panela e se recusa a virar um floquinho branco, macio e alegre? Se chama piruá.Tem muita gente piruá neste planeta.Gente que não reage ao calor, que não desabrocha. Fica ali, duro, triste, inútil pro resto da vida. Não cumpre sua sina de revelar-se, de transformar-se em algo melhor. Não vira pipoca, mantém-se piruá. E um piruá emburrado, que reclama que nada lhe acontece de bom. Pois é… Perdeu a oportunidade de entregar-se ao fogo, tentou se preservar, danou-se. Com isso quero mostrar para aqueles que têm vocação para piruá que o importante na vida é reagir às emoções e não se manter frio, fechado, feito um grão de milho que não honrou seu destino…

(Martha Medeiros)

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A bordadeira

 
 
A vida, bordadeira de surpresas bonitas que também é, de vez em quando borda no tecido do caminho da gente umas histórias aparentemente sem pé nem cabeça, mas com muito coração.

 
E é o coração que pode encontrar importância no significado do bordado. Reverenciar a mestria, a ternura, o requinte do humor da bordadeira. A sua perspicácia. A sua visão amorosa. Sentir a qualidade de textura dos fios de sabedoria que ela usou para bordar a surpresa.

 
É o coração. Não, necessariamente, a circunstância.
 
 
 
(Ana Jácomo)

A vida e sua canção…

        São as notas e as pausas entre momentos que fazem a música do coração ter seu ritmo. Cada coração a sua batida, cada nota em seu lugar, cada tom a seu tempo.  Entenda que existem sons que não fazem parte da sua melodia. Que existem notas altas e baixas, mas são essas que cuidam da delicadeza do tempo. Apaixone-se pela sua música. Apaixone-se pela vida. E quando menos esperar ouvirá um solo tímido entrando em sua canção, e será o acompanhamento perfeito por toda a sinfonia.

 

(A Ponte)

Conselho sobre a vida em uma tarde de sol

Não confio em quem não olha nos olhos e abraça mole. Acho que falta mais olho no olho na vida. As pessoas mal se olham nos olhos, mal se cumprimentam, mal se beijam. Selinho é bom, mas beijo de língua é melhor ainda. Tapinha no ombro não me seduz, gosto mesmo é de abraço apertado, abraço quentinho, abraço bem abraçado. Não gosto de quem oferece o rosto, gosto do barulhinho do beijo estalando na bochecha, todo oferecido, bem exibido.
 
As pessoas ficam hesitando, não querem se dar. Mas a gente tem que se dar por inteiro. Ficam nesse vou-não-vou, quero-não-quero. Tem que querer, rir, ir. Sem medo, sem cobrança, sem procurar motivos. Mesmo porque os motivos só aparecem bem lá na frente. Uma hora a vida resolve nos dar explicações, mas não tente procurar agora, esse não é o momento.
 
Não dá pra ficar se questionando. Eu sei, sei que a gente questiona, que os pontos de interrogação rondam a cabeça e o coração. Mas sossega, aquieta o pensamento, deixa os sentimentos chegarem, ficarem, se instalarem. Para, então, você viver de forma mais plena e feliz.
 
 
(Clarissa Corrêa)